17.02.2012
Inês não irá publicar este desabafo na data em que o escreve porque não o quer partilhar com Pedro, não quer que as suas inquietações influenciem as decisões do seu amado.
Pedro e Inês planeiam alguns dias a dois e desejam ansiosamente que esse tempo chegue. Contudo, Inês não consegue deixar de sentir um aperto no peito quando pensa nisso, teme que por qualquer motivo mais forte não possam viver estes dias de amor, e esses motivos podem ser tantos… Curiosamente o que Inês mais receia é ela própria. Todos os dias o seu amor é maior, tão grande que já lhe perdeu a medida. Inês sabe que se o sonho acabar vai sofrer na mesma proporção do seu sentimento e o que fará da sua vida nessa altura? Sente que tem que se proteger.
Escreve estas palavras entre lágrimas, sabe que a hora da verdade chegará em breve. Nos próximos dias, Pedro dará ou não o passo que demonstrará que tem vontade de construir uma história sólida com Inês. Se isto não acontecer terá Inês amor-próprio suficiente para desistir, para admitir que perdeu e que ser “a outra” é tudo que a espera? Terá coragem para por um ponto final no sonho? Estará preparada para sofrer horrores e aceitar que o amor de Pedro não era o amor maior que pensava e que a sua história não iria ter um final feliz? A resposta é: não.
Perder, desistir, sofrer, aceitar, não são palavras fáceis para Inês. Até lá tenta acalmar o seu coração e aproveitar todos os momentos com Pedro, mas dentro dela não consegue deixar de pensar que o fim está próximo.
21.02.2012
Amanhã seria o derradeiro dia da prova que Inês aguardava. E seria também o dia da sua derradeira decisão. Contudo, Pedro conseguiu convence-la mais uma vez que não havia outra alternativa senão esperar. Claro que, mais uma vez Inês conformou-se, não acreditou que de facto assim fosse, mas preferiu fechar os olhos e seguir em frente. Achou que não valeria a pena deitar a perder as tão sonhadas férias com o seu amado e fingiu que percebeu.
Deseja agora que possam então partir juntos para uns dias longe de tudo e viver mais um bocadinho do seu sonho. Continua a questionar-se qual será o prazo razoável a dar a si mesma para tomar a tão dolorosa decisão.
Por vezes Pedro deixa-a confusa.
Inexplicavelmente, Inês nunca se sentiu tão namorada de Pedro como ontem. Estranha essa sensação, foi como se tivesse sentido pela primeira vez que aquele homem poderia ser seu. Nada mudou, ou talvez tenha mudado. Parecia que de repente começaram a fazer planos juntos, já não se limitavam a sonhar. Quando este sentimento a assaltou, Inês abanou vigorosamente a cabeça como se quisesse que aquela sensação de segurança a abandonasse rapidamente, de certeza seria uma falsa segurança. Que medo que Inês tem deste amor…
Por outro lado, hoje, foi um dos dias em que se sentiu mais “a outra”. Sabe que não pertence ao mundo de Pedro, mas a sua indiferença quando está desse lado ferem-na profundamente. Uma simples mensagem mostraria que Pedro, apesar do seu mundo, pensou nela. Inês estranha como é tão fácil separar as coisas, parece que só estão juntos dentro da sua bola de sabão e que ela pode rebentar a qualquer momento. Longe do pensamento de Inês está o facto de tentar impor a sua presença, só quer sentir que continua com Pedro quando ele está do outro lado. E por quanto tempo terá que haver dois lados?
02.03.2012
Ai Pedro… a vida é tão doce ao teu lado e tão triste longe de ti…
A ansiedade causada por cada ausência é tão dolorosa. Inês conta os minutos para saber de Pedro. Qualquer pedaço de tempo que fuja à normalidade parece uma eternidade, é logo fonte de inúmeras questões e de tantas inseguranças. Inês sente-se triste pela distância que as circunstancias lhes impõe, apesar de saber que são um mal necessário e esperar que um dia o sacrifício compense, a vulnerabilidade que sente fere-a até à alma.
03.03.2012
Obviamente que Inês continua longe de Pedro. Aliás, qualquer leitura mais atenta a este espaço deixa perceber que as ausências são férteis em desabafos!
Finalmente, algures durante os dias que teve o seu amor só para si, Inês descobriu qual seria o tal prazo a dar a si mesma para deixar de ser “a outra”: (...) Contudo, agora a questão passou a ser outra: conseguirá Inês cumprir a promessa que fez a si própria e desistir dos seus sonhos?
Todos os dias esta pergunta a atormenta. Todos os dias sofre porque todos os dias avança em direcção ao suposto fim. Inês precisa de sentir paz dentro de si, acordar e ter a certeza que ao fim do dia Pedro estará ao seu lado aconteça o que acontecer. Não duvida que Pedro a ame, mas não percebe porque resiste tanto em cortar amarras com o passado, continuará a ser o tal sentimento de culpa? Não encontra resposta… o mais cruel será ter que ser Inês a mandar embora o homem da sua vida, o amor incondicional que finalmente encontrou.
Por outro lado, por vezes sente que está a ser tremendamente injusta com Pedro. Há alturas em ele demonstra claramente que é com Inês que quer estar, os seus actos levam-no ao seu encontro. Por vezes, Inês sente-se tão amada que se sente péssima por equacionar o fim.
Sem comentários:
Enviar um comentário