17-03-2012
Talvez seja da solidão, quando é forçada a ficar sozinha, Inês sente uma insegurança maior, parece que esquece tudo de bom que Pedro lhe diz e passa a analisar cada deslise do seu amado. Mais questões, sente-se desesperada e luta contra elas, tenta tirá-las do pensamento, mas voltam e às vezes com tanta força.
Agora, que começa a ver uma luz no fundo do túnel, sente um medo enorme que que sua vida com Pedro não avance. Quer tê-lo sempre junto a si, deseja profundamente deixar de passar fins-de-semana longe do seu amor. As horas não passam, Inês conta os minutos para poder abraçar Pedro, mas ele nunca mais chega.
Quando estão nos braços um do outro parece que mundo é deles, é como se sentisse que tudo vai dar certo, quando olha Pedro nos olhos sente o seu amor, mas será que é o amor que Inês precisa? O amor incondicional e eterno que quer viver? Um dia Pedro disse-lhe que não poderiam procurar um amor eterno, eles que tiveram outros amores que chegaram ao fim.
Pedro não deixa de ter razão, mas aquelas palavras trespassaram o coração de Inês, porque continuará a acreditar que existem amores maiores que tudo? Porque acha que encontrou o homem da sua vida? Ou terá encontrado antes o homem certo para o momento certo? Por vezes sente que Pedro ainda tem um laço demasiado forte com o passado, algo que tem medo de perder. Será apenas uma necessidade de preencher o seu ego com aquele amor antigo, ou será ainda a vontade de não perder o seu lugar na vida que um dia foi sua?
Inês quer acreditar que, mesmo que Pedro não acredite que é para sempre, ele realmente a ame no presente o suficiente para avançarem juntos e construírem o futuro. Espera que o calor de Pedro nunca lhe falte, que ele não acorde um dia e perceba que o amor que pensava sentir era só desejo.
23.03.2012
Inês relê os desabafos que não publicou e sente um aperto no peito, as lágrimas enche-lhe o olhar e começam a cair, umas atrás das outras, como se padecesse de uma tristeza sem fim. Porquê, porquê que apesar de toda a felicidade que sente junto de Pedro não consegue sentir segurança naquela relação.
Pedro deixou a família pelo seu amor, enfrentou aqueles que lhe são mais próximos e continua aparentemente firme na sua decisão. Talvez seja por sentir que fracassou no seu casamento que tem tanto medo de falhar outra vez. Inês tem tanto medo de sofrer, de ter que abdicar do seu amor, que sofre todos os dias e o tempo longe de Pedro transforma-se em aflição, sempre com medo que ele não volte.
Entre estas palavras publicou mais uma mensagem para Pedro; sim, porque tudo o que escreve e publica tem como único destinatário o seu Pedro.
Inês nunca foi uma mulher neurótica, sempre achou que um relacionamento poderia acabar, que os sentimentos podiam mudar, mas sentia sempre muita segurança exactamente porque pensava que tinha o controlo da situação. Agora, quando Pedro não telefona, ou não lhe diz que a ama tão intensamente, começa a sentir-se insegura. Por vezes acha, que ele é assim, pensa que é mais desligado, que as coisas não vão ter a mesma intensidade sempre, que a rotina instala-se e que não é por isso que Pedro a ama menos. Mas dói quando pensa que ele não pesou em si, que tudo é mais importante que ouvir a voz de Inês ou que é indiferente que seja mais tarde; dói quando parece que Pedro tem vergonha deste amor que lhes aconteceu, quando foge de admitir perante todos que já não vive a mesma vida. Até parece simples, pois é só o que Inês quer, ser a sua vida.
Sem comentários:
Enviar um comentário