domingo, 13 de novembro de 2011

A todos os que tiveram coragem de lutar pela felicidade….

Pedro e Inês conheciam-se há vários anos. Por força das circunstâncias foram obrigados a conviver diariamente, conversavam, partilhavam experiências, foram conhecendo mais um do outro, sabiam que partilhavam os mesmos valores e as mesmas convicções e que convergiam em muitos pontos. Nunca sentiram mais do que uma amizade e admiração. Ambos tinham vidas emocionalmente estáveis, relacionamentos sólidos e felizes.
Um dia Inês sentiu um leve frio no estômago quando se cruzou com Pedro, até achou engraçado por se tratar de uma pessoa com quem se relacionava há tanto tempo. Arrumou aquilo no fundo dos seus pensamentos e durante algum tempo lá permaneceu fechado.
Um dia Pedro diz-lhe que, não sabendo porquê, ela lhe tirava o sono e não saía do seu pensamento. Quando questionou Inês sobre os seus sentimentos ela não mentiu, disse que um dia sentira o tal frio no estômago. Falaram sobre isto e chegaram à conclusão que se trataria de uma atracção, que deveriam comportar-se com adultos e esquecer. Perguntaram-se se algum deles teria feito algo para despertar aquele sentimento e concluíram que não, tinha sido o dia-a-dia a uni-los.
Voltaram para as suas vidas com a ideia de esquecer, mas não o fizeram. Passavam o tempo a pensar um no outro. De repente Inês sentia uma emoção que não a consumia desde a adolescência, não sabia o que era mas fazia sentir-se mais viva que nunca, queria estar sempre junto dele, queria conversar, olhá-lo nos olhos pois só isso acalmava o seu sentimento.
Quando estava longe de Pedro sentia muita culpa por estar a questionar a vida que tinha e os sentimentos que pensava serem sólidos. Nunca pensou que poderia cometer uma traição, sempre se sentira segura com a pessoa com quem estava e acima de tudo sentia-se muito amada, sentia que tinha o homem perfeito. Então, porque estaria este sentimento a crescer dentro dela?
Falaram sobre o assunto, colocaram muitas questões, não compreendiam que sentimento era aquele que parecia sufocá-los. Não percebiam porque lhes estava a acontecer uma coisa que não tinham pedido, que não viram chegar e com a qual não sabiam lidar. Começou a tornar-se insuportável viver uma vida dupla, era inconcebível estar com uma pessoa a pensar noutra, deixaram de dormir, de comer de conseguir concentrar-se e de saberem distinguir o que era certo e errado.
Depois de uma ausência maior que o habitual, Pedro diz que ama Inês e abraçam-se desesperados. De repente, esmagado pela saudade, aquele sentimento tinha-se transformado num amor maior. Reflectiram sobre o assunto e chegaram à conclusão que tinham sido levados pela emoção e que as palavras de Pedro nada queriam dizer.
Em mais uma noite de aflição contaram aos seus companheiros o que sentiam, curiosamente, sem nada terem combinado, na mesma noite. O resultado foi desastroso, de um lado foi o fim, do outro, uma tentativa desesperada de manter a união. O sofrimento passou a ser constante e insuportável.
Inês não conseguia viver com aquela culpa, disse a Pedro que deveria lutar pela sua união, reconstruir a sua vida. Só iam encontrar paz quando acabassem com qualquer sonho que podia uni-los. Pedro, pelo contrário, ao sentir que ia perder aquele amor ou que não poderia manter uma vida dupla, decidiu por fim à sua relação. Depressa racionalizou a sua decisão e na manhã seguinte já tinha mudado de opinião.
Pedro e Inês tiveram o seu primeiro e último encontro numa tarde cinzenta mas onde lhes parecia que o céu estava azul e iluminado. Tinham sonhado com tempo para eles, para conversarem com calma, sem medos. E o momento estava ali, mas era uma despedida. Conversaram como se não existisse mais ninguém, riram e choraram. Foi uma despedida doce porque os dois sabiam que era um amor impossível. Um amor que nunca foi consumado… um amor platónico.
A vida de Inês ficará diferente e marcada para sempre porque viveu uma história intensa que lhe dava vontade de gritar ao mundo o que lhe estava a acontecer… não fosse essa uma história proibida. No Final, não ficou um sentimento de perda, porque aquele homem nunca fora seu. Ficou um sentimento de desistência, a felicidade estava ali, nas suas mãos, foi difícil abri-las e deixar essa felicidade voar para longe de si.

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